
NOTA CONJUNTURAL SOBRE A ECONOMIA ANGOLANA
Angola adoptou um programa de estabilização macroeconómica e de reformas estruturais com o objectivo de completar o processo de transição para a economia de mercado.
Durante anos, o país foi caracterizado por forte instabilidade macro-económica, hiperinflação, sobrevalorização da taxa de câmbios e excassos investimentos no sector social. Não obstante a sua riqueza de recursos naturais, Angola tem uma ampla desproporção na distribuição do rendimento com 87% da população que vive abaixo da linha da pobreza.
Só nos últimos anos registou-se um crescimento económico que produziu uma ligeira melhoria das condições gerais de vida, tal como confirmado pelos indicadores de desenvolvimento das Nações Unidas que classificam Angola em 160 entre 177 paises.
Angola, de exportador de café e açucar, nos anos 60 e 70, nos anos pós independência tornou-se fortemente dependente das ajudas alimentares, e agora de importações de productos alimentares .
Os pilares fundamentais da economia de Angola são hoje as materias primas: em particular petróleo e diamantes. O petróleo representa a espinha dorsal da economia nacional: com a sua actual producção diária de 1.800.000 barris por dia, nível previsto a crescer para 2.000.000 em 2010, Angola representa o terceiro maior productor africano de petróleo (depois da Nigéria e a Líbia) enquanto é o quarto maior productor mundial de diamantes com 9 milhões de quilates.
O crescimento da economia angolana fez registar em 2004 uma forte aceleração a uma taxa anual superior a 2 dígitos: de 20,6% em 2005 de 16,7% em 2006 e de 27% em 2007.
Tal desenvolvimento, impulsionado em parte pela produção petrolífera e diamantífera, associado às favoráveis condições criadas pela paz, manifestou-se na particular retomada do sector da construção civil e infrastrutural, no processo de reabilitação das estrutura públicas e dos serviços, nas telecomunicações e no comércio.
Em 2005 a inflação continuou com tendência decrescente: em relação a 31% de 2004 desceu para 18,5% enquanto que em finais de 2006 e de 2007 deveria aproximar-se a 12%.
Esta dinâmica virtuosa, favorecida pelo robusto movimento das quotações petroliferas, que permitiu manter a estabilidade da moeda, como evidenciado pelo FMI, tem entretanto ocultado os problemas estruturais que estão na origem da subida dos preços (frágil politica fiscal, excesso de despesas, carência de controlo na gestão financeira, etc)
As críticas da comunidade financeira internacional sobre a escassa transparência na gestão da política fiscal e, em particular, na gestão das receitas petroliferas, induziram o governo a melhorar os sistemas de controlo, repagar a dívida externa e a reduzir o déficit público. Ainda muito resta por fazer para elevar sistematicamente a qualidade da transparência contabilistica e financeira.
As tensões nas relações com o FMI leveram ao bloqueio das negociações para um acordo. A breve prazo, o país deverá continuar a ter o petróleo como garantia pelos empréstimos dos bancos comerciais, tal como aconteceu recentemente com a China e o Brasil, por mais de 9 bilhões e meio de dólares complessivamente, agravando a situação da dívida externa.
Entre finais de 2006 e início de 2007, Angola extinguiu completamente a sua dívida com os paises do Club de Paris, pagando 2 bilhões e 300 milhões de dólares.
Graças às previsões de forte crescimento da produção petrolifera para os próximos anos, sobretudo dos jazigos offshore, considerados dos mais ricos da Àfrica ocidental, o país deveria continuar a beneficiar de um positivo crescimento da economia.
Para a classe dirigente o desafio consiste na efectiva transferência da riqueza produzida para a maioria da população, enquanto a classe de empresarios e do mundo de negócios deve fazer contas com o precário estado das infrastruturas fora das principais cidades, com os transportes e as comunicações extremamente difíceis e, com a ineficiência da burocracia e o aumento da criminalidade.
Notas legais
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credits | F.A.Q.